
A Encarnação da Verdade
4 de outubro de 2017
Me chamo Carina Trom Araujo, tenho 34 anos e sou casada a 1 ano e 8 meses com o Eduardo Cesar Araújo. Somos Pré-Discípulos da Comunidade Restauração e venho contar para vocês o nosso testemunho, pois cremos na Palavra de Deus:
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” Ecle 3, 1.
Em 2012, em uma consulta de rotina, pedi a minha médica para fazer todos os exames para ver se eu poderia engravidar, pois eu e o Eduardo tínhamos um sonho em comum: ter uma grande Família. Foi aí que descobri uma alteração em um dos exames. A médica suspeitava que era endometriose e me encaminhou para outro médico, especialista. Este médico, após realizar um procedimento cirúrgico chamado vídeo-laparoscopia, me informou que eu tinha um problema pior que a endometriose e que era irreversível, que minhas trompas eram obstruídas e que eu só poderia engravidar pelo método artificial da fertilização in vitro. Naquele momento, abriu-se um abismo diante do meu projeto de vida, pois meu sonho sempre foi ter filhos. Conversei com o Eduardo, que na época era meu namorado, e ele me falou que, se Deus tinha me colocado na sua vida, ele me aceitaria independentemente de podermos ter filhos ou não.
Naquele período de muita dor e tribulação conhecemos a Comunidade Restauração. No mesmo instante em que pisamos este solo santo já fomos tocados. Passamos a frequentar cada vez mais e mais a Comunidade e passamos a sentir Deus agindo na nossa história. Lembro muito claramente de uma confissão que fiz com o Padre Genésio, que foi maravilhoso, apaziguador e esclarecedor. Passei a ver tudo com os olhos de Deus, meu coração foi confortado e consegui ver que para professar o amor ÁGAPE bastava começar por pequenos gestos. Quando sai da confissão já me sentia outra mulher. A partir daquele momento, em todas as minhas orações, Deus confirmava no meu coração que eu devia esperar o tempo d’Ele, e que eu geraria um filho em meu ventre. Tomei posse desta graça e segui com a minha sede de servir a Deus.
Começamos o Caminho Vocacional na Comunidade Restauração e desde então levamos uma vida cristã inteiramente em Deus. Ele nos deu de presente vários irmãos de Fé e muitos profetizaram que eu iria engravidar. Muitos oravam por nós e sentíamos forte no coração o carinho e o amor que o Espirito Santo de Deus estava derramando em nossas vidas. Cerca de um ano após estarmos casados já tínhamos vivido muitas experiências na Comunidade, recebendo dons e carismas para servir na Obra e sendo preparados para tudo o que ainda viveríamos no Senhor.
Iniciamos a preparação dos documentos para a adoção e, ao mesmo tempo, nos mantivemos fiéis na oração do Santo Terço, na Adoração ao Santíssimo Sacramento e na experiência constante da Confissão. Foi aí que o Sopro do Espírito Santo nos deu o dom da Paternidade e da Maternidade. Um verdadeiro MILAGRE de Deus em nossas vidas! Após realizar os primeiros exames de ultrassom, descobrimos que seria uma menina e em oração escolhemos para ela o nome Mariana, pois nossa mãe Maria Santíssima sempre intercedeu por nós e fazemos parte de uma Comunidade Mariana. Tudo corria muito bem e nosso presente dado por Deus viria ao mundo na segunda quinzena de abril de 2015.
No final do sexto mês de gestação comecei a passar muito mal, não conseguia comer, sentia muita dor de cabeça e na segunda-feira, dia 12 de janeiro, fui ao hospital. Passei por uma bateria de exames e aparentemente estava tudo bem, mas na dúvida eu pedi ao médico de plantão para me encaminhar ao centro obstétrico. A médica de plantão da obstetrícia notou um inchaço anormal em minhas pernas e pediu novos exames. Passava das 18h40 quando um outro médico chegou ao quarto com os resultados. Ele simplesmente falou: “vamos tirar a bebê para guardar a sua vida”.
Meu chão sumiu e me senti sendo golpeada violentamente no meu próprio ventre. Pedi a enfermeira que chamasse meu marido e no momento em que ele entrou no quarto eu fui informada de que minhas plaquetas haviam baixado quase 300.000 em apenas algumas horas. Eu adquirira uma síndrome rara chamava “Síndrome de Hellp” e eu e nosso milagre corríamos risco de vida. Ao conversar com o meu esposo sobre o diagnóstico que havia recebido a pouco, ele me olhou no mais profundo da alma e disse: “Amor, mais uma vez Deus está nos protegendo e mostrando o quanto nos ama como filhos”.
Diante de todo o turbilhão de informações e sentimentos, o médico falou que no máximo em 30min eu estaria na mesa de cirurgia, que precisava de sangue e que a Mariana nasceria prematura e dormindo por conta da anestesia geral que teria que ser aplicada. Já na mesa cirúrgica, o Eduardo entrou na sala e juntos fizemos a leitura do Evangelho do dia. Rezamos, entregamos toda a equipe médica a Deus e deixamos claro ao Senhor que mesmo diante da dor e do desespero confiávamos inteiramente na Sua vontade. Meu coração foi se acalmando e se encheu de coragem, pois Deus usou do Eduardo para me fazer forte mais uma vez. Assim entregamos nossas vidas em Suas mãos em mais uma tempestade de emoções.
Para a nossa surpresa eu não precisei de sangue. A Mariana nasceu perfeita e chorou um choro lindo que meu marido ouviu do lado de fora da sala e que logo o fez sentir em seu coração que ela chamava: PAI, PAI… Ela passou 30 dias na UTI neonatal e a cada semana Deus colocava anjos em nosso caminho para confortar-nos para que quando ela estivesse pronta para ir para casa nós estivéssemos prontos para suprir todo o amor que ela iria necessitar.
Entendemos que tudo isso aconteceu para confirmar em nosso coração que Deus nos escolheu, Jesus nos chamou e o Espirito Santo, através da Comunidade Restauração, realizou o grande milagre em nossas vidas. A nossa Mariana, que hoje já está em casa, cresce como uma criança que nasceu no tempo normal de gestação e será educada nas leis de Deus. Os caminhos que ela irá traçar serão os caminhos do Senhor testemunhando que sua vida é um milagre.
“O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” I Cor 13.
Carina Trom Araujo
Pré-Discípula da Comunidade Restauração